Games em Curitiba: capital reúne metade dos estúdios do Paraná

Estúdio de desenvolvimento de games em Curitiba com equipe trabalhando

O setor de games em Curitiba virou o centro de gravidade de um mercado que cresce no Paraná. A capital concentra cerca de metade dos estúdios de desenvolvimento de jogos mapeados no estado.

O dado vem do primeiro mapeamento do ecossistema de games do Paraná, feito pelo Sebrae/PR em parceria com a Associação de Criadores de Jogos do Paraná, a ACJPR. O estudo identificou 49 estúdios em atividade.

Depois de Curitiba, a lista segue com Londrina, que responde por 10% dos estúdios, Maringá, com 8%, e Cascavel, com 4%. Os demais municípios somam o restante.

Uma cadeia maior do que a conta de estúdios de games em Curitiba

Olhar só para os estúdios esconde o tamanho do setor. O levantamento encontrou 1.372 empresas com atividade principal ligada a games e outras 4.350 com atividade secundária no ramo.

Esse segundo grupo envolve tecnologia, audiovisual, design e serviços digitais. É a parte do mercado que trabalha para o jogo sem necessariamente assinar o jogo.

Com esses números, o Paraná aparece como o sexto estado do país em quantidade de estúdios. A posição coloca Curitiba no mesmo debate de capitais com tradição no setor.

Setor maduro, não aposta de garagem

Um dado chama atenção mais do que o total de empresas. Mais de 35% dos estúdios paranaenses têm mais de dez anos de atividade.

Na economia criativa, sobreviver uma década é raro. Para o Sebrae/PR, esse tempo de estrada indica um setor que saiu da fase de experimento e passou a operar como indústria.

Rafael Tortato, coordenador de TIC e Startups do Sebrae/PR, explica que o mapeamento nasceu da necessidade de medir o mercado com base em evidências. A metodologia cruzou os códigos de atividade econômica registrados nos CNPJs com uma etapa de validação qualitativa.

O que isso significa para quem mora e trabalha aqui

Um estúdio de jogos não emprega só programador. A produção reúne artista 3D, roteirista, designer de som, profissional de narração, marketing e gente especializada em divulgação.

É emprego qualificado que não depende de fábrica nem de escritório no eixo Rio e São Paulo. Boa parte desses times trabalha de prédio pequeno, coworking ou home office em bairros como Batel, Água Verde, Rebouças e Centro.

A concentração em Curitiba tem explicação conhecida: universidades com cursos de tecnologia e design, uma rede de inovação organizada e uma comunidade de desenvolvedores que já se encontra em eventos e game jams há anos.

O próximo passo é política pública

O Sebrae/PR indicou que pretende aprofundar o levantamento. A ideia é usar os dados para propor políticas públicas voltadas ao setor.

Para quem está começando, o recado prático é procurar a ACJPR e os editais de economia criativa. O mapeamento mostrou que o mercado existe, tem tamanho e já passou da fase de hobby.

Os detalhes do estudo estão na publicação da Agência Sebrae de Notícias.

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