Curitiba vai ganhar cinco empreendimentos desenhados desde a planta para o aluguel por temporada. São cerca de 2,3 mil apartamentos que entraram no programa de Condomínios Parceiros do Airbnb, segundo publicação da revista Exame produzida em parceria com as incorporadoras.
Os projetos são da Blue Empreendimentos e da Invespark, que atuam juntas desde 2021. A próxima entrega está prevista para o segundo semestre de 2027.
O acordo é, em número de unidades, a maior parceria já feita pelo programa no Brasil entre incorporadoras e a plataforma. Nos cinco projetos, das linhas AYA e CENA, nenhuma adaptação estrutural ou documental foi necessária para a entrada.
O PRÉDIO JÁ NASCE PENSANDO NO HÓSPEDE
A diferença está no começo do processo, não no fim. Planta dos apartamentos, áreas comuns, convenção condominial, regimento interno e controle de acesso foram definidos considerando a circulação de hóspedes.
É o oposto do que acontece na maioria dos prédios da cidade, onde a locação de curta duração chegou depois e gerou atrito com os moradores. Aqui, a regra foi escrita antes de a primeira parede subir.
No AYA Carlos de Carvalho, uma das plantas foi desenvolvida para que duas áreas do mesmo apartamento funcionem de forma independente. Na prática, o proprietário mora em uma parte e aluga a outra, o que exigiu mudanças construtivas e regras específicas na convenção.
As áreas comuns também mudaram de cara. O salão de festas tradicional perdeu espaço para lavanderia coletiva, coworking e minimercado autônomo, com portaria remota e fechadura eletrônica organizando o fluxo de entrada.
POR QUE O COMPACTO VIROU MAIORIA
A aposta acompanha um movimento que já se consolidou no mercado local. Segundo José Mário Marim Jr., CEO da Blue, os imóveis compactos já representam mais da metade dos novos lançamentos de Curitiba, e as duas empresas detêm cerca de 35% desse segmento.
Por trás disso está uma mudança de quem mora e de como mora. As empresas apontam o crescimento de lares formados por uma única pessoa, além da demanda de estudantes, idosos e profissionais que passam temporadas definidas na cidade.
A localização ganhou peso na decisão de compra. Imóvel menor em região central significa menos tempo no trânsito e trabalho, moradia e lazer no mesmo raio de caminhada.
Mudou também o perfil de quem compra. Segundo a Blue, mais de 70% das aquisições na planta em seus projetos vêm de pessoas que consideram a locação como uma das possibilidades de uso do imóvel.
Antes, esse comprador queria valorização para revender ou alugar em contrato tradicional. Hoje, as incorporadoras dizem ver alguém interessado em gerar renda disponibilizando o espaço por temporada.
Como demonstração de demanda, as empresas citam o AYA Residences, que vendeu 90% de suas 533 unidades em 40 dias.
O QUE O PROGRAMA DO AIRBNB FAZ E O QUE NÃO FAZ
Vale ler as letras miúdas. A entrada no programa não significa que o Airbnb ou as incorporadoras vão administrar os edifícios, e a gestão do dia a dia continua com cada condomínio depois da entrega.
A participação também não é garantia de ocupação nem de retorno financeiro por unidade. O que o programa oferece é o Painel do Condomínio, ferramenta que mostra datas de check-in e checkout e quantidade de hóspedes.
A ideia por trás da ferramenta é dar previsibilidade a quem mora no prédio. Síndico e morador passam a enxergar o fluxo de estadias em vez de descobrir o movimento pelo barulho no corredor.
ONDE ISSO ATERRISSA NA CIDADE
Os terrenos são escolhidos pela proximidade de hospitais, universidades, grandes empresas, shoppings, pontos turísticos e espaços de eventos. É o mapa clássico do fluxo constante de gente em Curitiba.
Para quem mora nessas regiões, a mudança já é visível na paisagem. Torres mais estreitas, com unidades menores e térreos ocupados por serviço, vão substituindo o padrão de prédio residencial com salão de festas gigante.
Para quem pensa em comprar, o recado é outro: o compacto deixou de ser um produto de nicho na cidade. Blue e Invespark lançaram cerca de 2.500 unidades nos últimos três anos e projetam manter uma média de R$ 700 milhões em lançamentos por ano, com mais de mil unidades no pipeline para 2027.
SERVIÇO
A próxima entrega dos empreendimentos das linhas AYA e CENA está prevista para o segundo semestre de 2027. As informações foram divulgadas pelas incorporadoras Blue e Invespark em publicação na revista Exame.






