Ratos na Praça Osório: prefeitura age e biólogo explica o problema

Um vídeo gravado à noite na Praça Osório viralizou nas redes sociais depois de mostrar uma grande quantidade de ratos saindo de bueiros no Centro de Curitiba. A cena chocou muita gente. No entanto, especialistas deixam claro: ratos na Praça Osório e em outras praças de grandes cidades fazem parte de uma realidade urbana que não tem solução definitiva.

O que a Prefeitura de Curitiba vai fazer

A secretária municipal de Meio Ambiente, Marilza Dias, foi pessoalmente ao local após a repercussão do vídeo e anunciou medidas concretas.

A prefeitura vai instalar grades nos bueiros para bloquear a saída dos animais e vai reforçar as ações de limpeza. Além disso, a Praça Osório já recebe aplicação de raticida a cada dez dias, passa por lavagens periódicas e conta com varrição 24 horas por dia.

A secretária também pediu a colaboração da população. Por isso, o alerta é claro: restos de alimentos deixados na praça, especialmente pelos frequentadores dos bares e restaurantes do entorno e da atual Feira de Inverno, criam condições favoráveis para os roedores.

O que diz a ciência sobre o controle de ratos em cidades

“O extermínio total é o recomendado, mas isso nunca vai acontecer”, afirma o biólogo Itiberê Piaia Bernardi, doutor em Ecologia e Conservação e professor da PUCPR.

Segundo ele, onde há concentração de pessoas, há comida disponível. E onde há comida, há roedores. Além disso, os ratos têm hábito noturno e por isso circulam com mais liberdade quando o movimento nas ruas diminui.

Por que ratos se reproduzem tão rápido

Uma fêmea com menos de 60 dias já está apta a se reproduzir, com capacidade de gerar até 15 filhotes por ninhada e de seis a 12 ninhadas por ano. Como resultado, a população de roedores cresce rapidamente mesmo quando as ações de controle funcionam bem. O professor desconhece qualquer exemplo no mundo de uma grande cidade que tenha eliminado definitivamente os ratos.

Doenças que os ratos podem transmitir

Ratos na Praça Osório e em qualquer área urbana representam um risco concreto à saúde pública. Os roedores transmitem até 35 doenças, entre elas leptospirose, salmonelose, hantavirose, tifo e peste bubônica.

Além disso, com a chegada das chuvas previstas pelo El Niño, o risco de contaminação da água com a urina dos animais aumenta. Por isso, a orientação é evitar o contato com água de enchente, já que a bactéria da leptospirose penetra no corpo mesmo sem ferimentos na pele.

A resposta dos bares e restaurantes

A Abrabar, associação que representa bares e restaurantes, já orienta os estabelecimentos da região a reforçar o descarte correto dos resíduos orgânicos e a separação do lixo. Dessa forma, o setor busca contribuir para reduzir a disponibilidade de alimento para os roedores na área.

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