Um estudo do Ippuc mostra uma diferença enorme na acessibilidade entre os bairros de Curitiba. Enquanto o Alto da Glória tem mais de 90% das vias com rampas para cadeirantes, o São Miguel não tem nenhuma.
Os bairros mais bem servidos
A região central concentra os melhores resultados. O Alto da Glória lidera com 91,45% das vias com rampas, seguido pelo Centro Cívico, Batel e Cabral.
Esses bairros também têm cobertura de calçadas quase completa. Em algumas áreas centrais, o índice chega a 100%.
Onde a estrutura ainda falta
A situação é bem diferente longe do centro. O São Miguel aparece como o caso mais grave, sem nenhuma rampa registrada.
Caximba e Riviera também têm índices muito baixos, abaixo de 1%. No caso das calçadas, o Caximba tem apenas 9,22% de cobertura, o pior número da cidade.
Por que essa diferença existe
O modelo adotado historicamente em Curitiba deixou a construção e manutenção das calçadas por conta dos donos dos imóveis. Isso gerou um mosaico de materiais e condições diferentes até dentro do mesmo quarteirão.
Segundo o Ippuc, as calçadas padronizadas ficaram concentradas no centro e nos eixos de transporte. Já as regiões mais afastadas sofrem com trechos estreitos ou que simplesmente não existem.
Ter rampa não é o mesmo que ter acessibilidade
Especialistas alertam que uma rampa mal feita não resolve o problema. Muitas têm inclinação errada, degraus no encontro com o asfalto ou falta de piso tátil, aquela faixa em relevo que orienta quem tem deficiência visual.
Para haver acessibilidade de verdade, qualquer pessoa precisa conseguir circular com autonomia e segurança. Sem isso, a rampa vira só um símbolo no papel.
O que a prefeitura planeja
A revisão do Plano Diretor prevê a criação de rotas caminháveis, priorizando áreas perto de escolas e postos de saúde. As novas regras também vão exigir calçadas divididas em três faixas: uma livre para pedestres, uma de serviço e outra de acomodação junto aos imóveis.
Além disso, o novo BRT Leste/Oeste deve modernizar 91% das estações-tubo da cidade. A expectativa é que essas mudanças reduzam aos poucos a desigualdade entre os bairros.











