Curitiba conseguiu preservar 48 mudas de cerejeira-do-japão ao longo da Avenida Sete de Setembro, mesmo com as obras do BRT Leste-Oeste em andamento na região. A solução partiu da Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (Utag), em parceria com a empreiteira responsável pelo canteiro. Sem essa saída, as árvores seriam transplantadas para outros endereços da cidade.
O problema começou com as fortes chuvas registradas entre junho e julho deste ano. A erosão do solo próximo às valas de escavação rompeu a estrutura de terra que protegia as raízes das mudas desde o plantio original, deixando o sistema radicular exposto.
Por que preservar as cerejeiras na Avenida Sete de Setembro importava tanto
Segundo avaliação do Horto Municipal da Barreirinha, o transplante submeteria as árvores a um estresse desnecessário. Afinal, o espaço do canteiro de obras permitia a convivência entre a construção e a vegetação, desde que houvesse proteção técnica adequada.
Diante disso, a equipe de Supervisão Ambiental da Utag articulou um trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Obras Públicas, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Horto Municipal da Barreirinha e a construtora Betacem, responsável pelo Lote 2.3 da obra.
Uma solução que evoluiu em etapas
Primeiramente, a equipe testou barreiras de madeira como anteparo entre as valas e as raízes expostas. Em seguida, o técnico de segurança da empreiteira, orientado pela Utag, desenvolveu um sistema modular de contenção com caixas protetoras de madeira, feitas sob medida para cada muda.
O dispositivo final garantiu isolamento total das raízes e estabilidade mecânica. Além disso, o período de inverno favoreceu a operação, já que as árvores entram em dormência biológica nessa época, o que tornou mais segura a manipulação das raízes.
O que isso representa para o clima de Curitiba
A escolha por manter as árvores no local também segue as metas do PlanClima, o plano municipal de ação climática da cidade. A região da Sete de Setembro tem predominância “cinza”, ou seja, pouca cobertura vegetal e maior propensão a ondas de calor. Por isso, preservar cada árvore já existente ali ganha peso extra.
Segundo o coordenador-geral da Utag, Marcio Teixeira, o modelo criado durante essa obra pode ser aplicado em outras frentes pela cidade. Dessa forma, a experiência do Lote 2.3 deve se tornar referência para equilibrar infraestrutura urbana e preservação ambiental em Curitiba.
O BRT Leste-Oeste integra o PRO Curitiba, programa de mobilidade que prevê investimentos de mais de R$ 6 bilhões em quatro anos, com recursos do New Development Bank e contrapartida da prefeitura. Quem circula pela Sete de Setembro nos próximos meses vai continuar vendo as cerejeiras no mesmo lugar de sempre, protegidas por dentro das obras.








