Curitiba começa a soltar wolbitos contra a dengue no Sítio Cercado

Equipe da prefeitura solta wolbitos contra a dengue em praça do Sítio Cercado, em Curitiba

Curitiba começou, nesta quarta-feira (29/7), a soltura de wolbitos contra a dengue no bairro Sítio Cercado. Os insetos são mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão da doença. A primeira liberação aconteceu às 11h, na Praça Professora Marli Queiroz de Azevedo, no Distrito Sanitário Bairro Novo.

Os wolbitos não eliminam o mosquito da cidade nem substituem o combate tradicional à água parada. Ou seja, tampar caixas d’água e limpar calhas continua sendo essencial para quem mora em Curitiba.

Como funciona a Wolbachia

A bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya dentro do mosquito. Quando os wolbitos se reproduzem com a população local, a Wolbachia passa para os descendentes. Dessa forma, a proporção de mosquitos com menor capacidade de transmitir doenças aumenta com o tempo.

O método não usa modificação genética. A bactéria já existe naturalmente em diversos insetos, mas não aparece de forma espontânea no Aedes aegypti.

No Sítio Cercado, uma área vai receber mosquitos adultos soltos por equipes. Outra vai usar dispositivos com ovos, água e alimento. Enquanto isso, armadilhas e análises em laboratório vão indicar qual estratégia funciona melhor na região.

Detalhes que a prefeitura ainda precisa esclarecer

A administração municipal ainda não informou o número total de mosquitos, a frequência das solturas nem as ruas que vão compor cada rota. Além disso, o custo do projeto e a eventual contrapartida financeira do município também não foram detalhados até o momento.

A ação reúne a Prefeitura de Curitiba, a Wolbito do Brasil, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná e o World Mosquito Program. A cidade não atendia ao critério nacional de infestação usado pelo Ministério da Saúde, por isso a parceria aconteceu por outro caminho.

O que isso muda para Curitiba

A fase experimental deve durar cerca de 26 semanas. Entre janeiro e 20 de julho deste ano, Curitiba já registrou queda de 94% nos casos de dengue na comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa redução, porém, é anterior à soltura dos wolbitos e não pode ser atribuída a eles.

A experiência de outras cidades mostra potencial para reduzir a transmissão, mas não garante o mesmo resultado em Curitiba. Tudo vai depender da cobertura das solturas, da presença estável da bactéria e do monitoramento constante.

Portanto, mesmo com os wolbitos circulando pelo Sítio Cercado, a orientação da saúde pública continua a mesma de sempre. Eliminar recipientes com água parada e manter caixas d’água tampadas ainda são as atitudes mais eficazes contra a dengue em casa.

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